Docente do Instituto de Bioética faz palestra sobre “A pressa é inimiga da investigação”

Joana Araújo, docente do Instituto de Bioética e investigadora do Centro de Estudos em Gestão e Economia(CEGE) da Católica Porto Business School esteve presente no dia 19 de novembro, na Universidade de Aveiro para falar sobre “A pressa é inimiga da investigação”.  Este evento decorreu no âmbito do Science Awareness Month, um ciclo de quatro palestras sobre problemáticas atuais na área da Biomedicina que têm gerado preocupação entre a comunidade científica. A organização é da responsabilidade do Núcleo de Estudantes de Ciências Biomédicas da Associação Académica da Universidade de Aveiro (NECiB-AAUAv), que abrange estudantes da Licenciatura em Ciências Biomédicas e dos Mestrados em Biomedicina Molecular e Gestão da Investigação Clínica.

A conversa sobre “A pressa é inimiga da investigação” procurou alertar para a necessidade de uma consciencialização de uma conduta responsável em investigação cientifica. Atualmente a ciência vive um ambiente onde a competição por “recursos escassos”, por uma progressão na carreira, por visibilidade, por um posto de trabalho, perturba a vivência prática de um ethos, de uma responsabilidade epistémica do investigador. Joana Araújo referiu “a possibilidade de sobreviver no mundo e no mercado são constantemente postas à prova e as regras são ferozes: tens que fazer mais, mais depressa, publicar mais nas melhores revistas, ter projetos financiados nacionais, europeus caso contrário…. não tens emprego, não tens bolsa, não tens projetos para sustentar economicamente a tua investigação…enfim…publish or peerish.”  Assim, “as má-práticas científicas provocam a desconfiança e o desinteresse dos cidadãos pelos processos de produção de conhecimento e pela sua transferência para a sociedade, prejudicando a imagem da ciência, debilitando a credibilidade e o rigor que a devem caracterizar.”

“Não desprezando a importância da educação e da formação como formas de alterar consciências, a reflexão deve ser feita a montante; o próprio sistema científico deve criar mecanismos que garantam a perpetuação da ciência como um empreendimento científico confiável, seguro capaz de manter o seu alto prestígio social”, realçou Joana Araújo.

A docente do Instituto de Bioética e investigadora do CEGE terminou a sua apresentação reforçando que “a liberdade do cientista é também a sua grande exposição; não é possível conservar as vantagens da liberdade (a independência) livrando-se dos seus correlatos (a responsabilidade). Assim, a nossa relação com a Liberdade Científica é, antes do mais, uma relação extremamente dura e violenta com a Responsabilidade.”

Novembro 2019